A correlação entre a taxa Selic e os ativos estressados

Os riscos tradicionais em torno dos ativos estressados, via de regra decorrentes de sua litigiosidade, podem ser mitigados através da prévia analise pormenorizada de todo o contexto jurisdicional em que se situam, fazendo com que sua atratividade, aos olhos dos investidores, seja realçada.

À primeira vista, pode-se parecer que a Taxa Selic não guarda correlação para com os ativos alternativos, já que estes são desvinculados da rentabilidade própria dos investimentos de renda fixa.

No entanto, sob a ótica do custo de oportunidade, verifica-se o potencial de influência que um exerce sobre o outro. Explica-se.  

No jargão financeiro, o conceito de custo de oportunidade pode ser compreendido como a avaliação que os investidores fazem sobre as diversas oportunidades de investimentos de que dispõem para alocarem seus recursos.

A noção de custo de oportunidade exsurge na medida em que os poupadores de recursos calculam o custo-benefício das diversas opções de investimentos disponíveis no mercado o tempo todo, valendo-se de critérios como rentabilidade e volatilidade do ativo-alvo.

Assim, são escolhidas modalidades de investimentos em detrimento de outras, a depender da taxa de rentabilidade envolvida em cada operação.

A compreensão do conceito de custo de oportunidade é importante para que o investidor possa optar por modalidade de investimento alternativo em relação aos tradicionais investimentos em ativos atrelados à renda fixa.

Importante destacar que a taxa Selic assume relevante papel para o conceito examinado, na medida em que se estiver situada em patamar reduzido, pode fazer com que investidores optem por modalidades de investimentos alternativos, em busca de maiores retornos.

Neste cenário, ganham relevo investimentos em ativos estressados, assim considerados com aqueles que são objeto de dívidas ou de litígios judiciais.

Estes ativos estressados são comercializados com deságios consideráveis, para atrair os interessados e movimentar o mercado de créditos podres. Os adquirentes buscam a recuperação do crédito por meio de negociações com o devedor, propondo novas condições e prazos de pagamento, ou mediante atuação judicial especializada.

Em 2022, movimentado pelo alto nível de inadimplemento ocasionado pela rápida subida do juro básico no País, bateu-se o recorde de transações envolvendo os créditos podres. De acordo com matéria vinculada à revista Época Negócios¹, publicada em 12/12/22, casas especializadas no assunto estimaram que o ano terminaria em cerca de R$ 75 bilhões em vendas de ativos estressados.

Cita-se, também, os dados apresentados no site da InfoMoney em matéria publicada em 21/2/23, os quais informaram que o número de falências requeridas em janeiro/2023 atingiu o maior nível em três anos. Foram 72 pedidos no mês passado, ante 46 em 2022 e 40 em 2021².

Há uma correlação direta entre os ativos estressados e a Taxa Selic, que influencia a rentabilidade de outros títulos de renda fixa, eis que a volatividade desta é componente constate na avaliação de custo de oportunidade das alternativas disponíveis.

Os riscos tradicionais em torno dos ativos estressados, via de regra decorrentes de sua litigiosidade, podem ser mitigados através da prévia analise pormenorizada de todo o contexto jurisdicional em que se situam, fazendo com que sua atratividade, aos olhos dos investidores, seja realçada.

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1 https://epocanegocios.globo.com/economia/noticia/2022/12/venda-de-credito-podre-atinge-recorde.ghtml

2 https://www.infomoney.com.br/mercados/pedidos-de-falencia-de-janeiro-crescem-80-em-dois-anos/

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